sábado, 21 de setembro de 2013

A louca

...
a louca da casa
arrasta correntes
pensa que é fantasma
de outras gentes
...

A massacrante felicidade alheia


  Ah,
 "Criaturas frustradas, infelizes
 que vivem em busca de amor e de
algum reconhecimento social"
quando não encontram
criam uma feroz e emaranhada
mistura de sentimentos nebulosos
de preconceitos ressentidos
inconformadas com a felicidade alheia
apontam, criticam, se incomodam
esquecem de olhar pra dentro
delas mesmas e ver que o "problema"
...São elas...
 e continuam afogadas na inveja.

Elizabeth Oliveira

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Anjo


(...anjo neurastênico
 tem coração místico
 imerso no universo
 romântico profundo
 olhar molhado
 emocionado
 aluado magnífico
 menino franzino
 quase divino
 seu verso
 é tristonho cético
 e dolorido...)


Elizabeth Oliveira

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O Bárbaro



(...ela nem queria ir
aquela taverna estava cheia
de figuras estranhas
seus amigos riam e bebiam
ou bebiam e riam
todos se divertiam
ela ria e ria
ah, mas ela era feliz!
quando ele chegou
encheu o espaço
feito um viking
grande e rude
ela sentiu a pele arrepiar
grudou seus olhos
naquele bárbaro
e não desviou
ele a ignorou
mesmo quando
sua pele suada
nela grudou
ele a ignorou...)

Elizabeth Oliveira

Síria



(...isolados em nosso mundinho pequeno burguês
com egos inflados querendo ser a bola da vez
esquecemos a Síria e sua guerra insana
enquanto levamos nossa vida bacana
nem pensamos na criança atônita
na mãe que grita seu pavor
até ficar afônica
e na ilusão da perfeição...
não sabemos do pai
que enterra o corpinho inocente
aviltado do filho no campo de refugiado...)
 
 
Elizabeth Oliveira

Sutilezas


quando fecho os olhos
vou além
além do oceano no fim da rua
e a felicidade é fácil
laços de ternura
ecos da mente
coisas
jamais esquecidas
talvez obsessão
as distancias
as sombras
sombras que
cobrem a Deusa de Tróia
profundamente nua
sob a Lua


Elizabeth Oliveira

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O vício




 Adriano Bibop

 Bom..!!!
Não existe outra maneira de dizer isso...
Eu sou viciado.
Não sei bem como começou, talvez influência dos amigos. Ainda me lembro da insistência de alguns tentando me convencer de como aquela experiência seria boa pra mim. Confesso que não acreditava naquelas baboseiras.
Diziam que se eu experimentasse uma vez, não largaria mais. Estavam certos.
Começou meio sem querer. Muitas pessoas sorrindo, me cumprimentando, tapinha nas costas, pessoas bonitas, ambiente gostoso. Me deixei levar. Mas a primeira experiência não foi legal. Sofri os efeitos dela por uma semana e jurei nunca mais experimentar. Mas não sei como, uma semana depois, lá estava eu experimentando outra vez.
Comecei com pequenas doses que foram aumentando sem que eu nem percebesse.
Quando dei por mim, queria aquilo todos os dias.
Meu corpo pedia. Muito mais que gostar, fui ficando dependente.
Experimentava doses mais altas, mais intensas, gastava dinheiro, muitas vezes sem poder.
Precisava daquela sensação.
Comecei a conviver com pessoas igualmente viciadas e a coisa toda só piorou.
Acordávamos de madrugada, no frio, na chuva, às vezes machucados.
Tudo era em prol daquela sensação poderosa que invadia o corpo e me deixava em êxtase.
Hoje não consigo mais largar, nem sei se quero mesmo fazer isso.
Meu corpo mudou, minhas roupas de antes foram se perdendo, comecei a usar gírias, tudo está diferente. A cada nova experiência, percebo que será pra sempre.
Não tem volta.
Eu sou viciado.
Viciado em correr.
E adoro isso. No momento em que você lendo isso, eu posso estar por aí... correndo.
Muitos são viciados em jogos, em drogas, em álcool
...Eu corro, e você?

Por_Adriano Santos de Sousa